Sustentabilidade e e-commerce no Brasil

Embora o termo ‘ecologicamente correto’ não seja novo, sua relevância tem crescido ao longo dos anos e ganhado espaço significativo nos debates que permeiam diversas esferas da sociedade, desde políticas governamentais até estratégias de varejo e sustentabilidade nos negócios. É inegável que estamos testemunhando um aumento exponencial no consumo e na produção de bens e materiais. No entanto, o debate atual não gira em torno simplesmente da redução da produção ou da desaceleração do consumo, mas sim da implementação de políticas que fomentem um consumo consciente e promovam o desenvolvimento sustentável.

Quando direcionamos nosso foco para as importações, o comércio eletrônico e o varejo nacional, deparamo-nos com números alarmantes que instigam uma urgência por mudanças nos padrões de consumo e na cadeia de abastecimento de produtos. Conforme um estudo divulgado em 2022 pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, as embalagens plásticas utilizadas para o envio de produtos adquiridos pela internet totalizaram cerca de 100 mil toneladas de resíduos plásticos. Estima-se que apenas um quarto desse resíduo tenha sido efetivamente reciclado.

Segundo informações divulgadas pelo Mercado Livre, no ano de 2022 cerca de 2 bilhões de compras foram feitas dentro da plataforma dessas cerca de 90% precisaram de entrega residencial e foram transportadas com veículos que utilizam a queima de combustíveis fósseis, o mesmo estudo divulgado pela Federal do Rio de Janeiro aponta que 1% de todos os gases poluentes emitidos em 2022 se originaram do transporte e entrega de compras feitas no e-commerce.

De acordo com dados fornecidos pelo Mercado Livre, aproximadamente 2 bilhões de compras foram realizadas na plataforma em 2022, e destas, cerca de 90% demandaram entregas residenciais, utilizando veículos movidos por combustíveis fósseis. O mesmo estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro indica que 1% das emissões totais de gases poluentes em 2022 derivaram do transporte e entrega de compras efetuadas por meio do comércio eletrônico.

Esses dados levantam um questionamento crucial sobre o comércio eletrônico: até quando o meio ambiente suportará o crescimento desse setor sem a implementação de mudanças e políticas sustentáveis? Realmente necessitamos de tanto plástico nas embalagens de envio? As entregas precisam ser tão imediatas, a ponto de não permitir um planejamento mais eficiente, como a consolidação de cargas e otimização do consumo de combustível?

No próximo ano, a pressão por iniciativas sustentáveis aumentará consideravelmente, forçando empresas já estabelecidas a reavaliarem suas políticas de aquisição, venda, entrega e descarte. O discurso ambiental estará cada vez mais presente na mente do consumidor, que tenderá a optar por empresas que abracem a bandeira da sustentabilidade.

Uma pesquisa conduzida pela Union+Webster em 2019 revelou que a maioria dos brasileiros prefere adquirir produtos de empresas que adotam práticas sustentáveis. Surpreendentemente, 70% dos entrevistados afirmaram não se importar em pagar um pouco mais por produtos que possuam essa característica.

Grandes empresas estão atentas a essa tendência e estão assumindo publicamente o compromisso com a questão climática. Um exemplo notável é a Apple, que em 2020, ao lançar o iPhone 12, optou por não incluir o carregador na embalagem, argumentando que era dispensável para usuários que já possuíam o dispositivo em casa. Nesse mesmo ano, a marca experimentou um crescimento de 3% nas vendas, evidenciando o impacto positivo das políticas de reuso e do discurso sustentável.

Essa tendência também se reflete em outros setores, como o da moda, onde marcas estão investindo em algodão ecológico, adotando práticas de descarte consciente de peças e incentivando compras mais conscientes. Embora seja um processo gradual, o compromisso com causas sociais e ambientais é uma realidade que merece atenção de todos. Além de ser estrategicamente lucrativo, esse compromisso serve como ponto de partida para uma série de mudanças significativas.

Com certeza, a compreensão do tema é crucial para quem vende produtos online. As transformações não estão restritas apenas às plataformas de e-commerce. Como evidenciam as pesquisas, os consumidores estão cada vez mais inclinados a escolher produtos e anúncios que tenham algum comprometimento com a sustentabilidade. Isso requer uma grande dose de inovação por parte dos empresários do ramo, que precisarão se reinventar para adequar seus produtos aos novos padrões de consumo. Estar atento às mudanças sociais é fundamental para se manter relevante nesse contexto.

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